Em uma velha cidade do interior de Minas Gerais, morava um
jovem garoto chamado Alan. Em um fim de tarde chuvoso ele e todos seus amigos
se sentaram à beira do fogão de lenha de Dona Cecília para ouvirem estórias de
assombração. Aparentemente, ninguém apresentava sentir medo dos contos de
terror contados por Tio João, porém um pequeno calafrio surgia pouco a pouco no
estômago de Alan.
Enquanto
o conto se desenvolvia e se aproximava do fim, Alan percebeu que não era o
único que estava sentindo aquela angústia: todos ali presentes pareciam
inquietos, exceto Tio João. O cômodo estava escuro e sombrio, iluminado apenas
pelas chamas que dançavam no interior do velho fogão. Um relâmpago, seguido por
uma trovoada, cortou o silêncio daquele chuvoso crepúsculo. Sem razão alguma,
Tio João levantou-se, caminhou rumo ao fogão e retirou, de dentro das brasas,
um punhal amarelado. Enquanto sua mão queimava, ele dizia coisas
incompreensíveis, com uma voz grossa e macabra. Correndo para Dona Cecília,
deu-lhe uma forte, porém rápida, estocada na barriga. Observando o corpo
ensanguentado da pobre mulher jogado ao chão, Alan partiu em disparada para o
andar superior, seguido por seus amigos, exceto um, que fora pego pelo homem
ensandecido.
Em meio
a tropeços, os rapazes correram pelo escuro corredor, abrindo uma porta e
espreitando-se nas sombras. A sala estava totalmente escura e quieta. À medida
que seus olhos se acostumavam com a escuridão, perceberam que estavam numa
espécie de escritório. Uma grande pilha de livros e papéis estava sobre uma
mesinha de madeira. Esta estava encostada na parede, sob uma imensa janela. Uma
de suas gavetas estava entreaberta, e próximo a ela havia uma cadeira. Um pouco
acima, pendurada na parede, uma prateleira era coberta de medalhas, enfeites e
algumas antiguidades que Alan desconhecia. Seus pensamentos foram interrompidos
por um forte estrondo vindo da porta: Tio João a havia arrombado. Ferozmente, disferiu vários ataques, levando
consigo os corpos já sem vida.
Num
salto, Alan despertou sentado na poltrona. Para sua surpresa , estava rodeado por todos os seus amigos, além de Tio João
e Dona Cecília, todos em um profundo sono. Porém, ao lado de Tio João, uma
entidade escura e funesta o observava. Com seus olhos gélidos e penetrantes
fixos nos de Alan, ele levou um dedo à boca, como se pedisse silêncio, soltando
uma horripilante gargalhada e desaparecendo de vista...
- Por: Marcos Ângelo Alves Filho
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