segunda-feira, 6 de maio de 2013

O CONTO

              Em uma velha cidade do interior de Minas Gerais, morava um jovem garoto chamado Alan. Em um fim de tarde chuvoso ele e todos seus amigos se sentaram à beira do fogão de lenha de Dona Cecília para ouvirem estórias de assombração. Aparentemente, ninguém apresentava sentir medo dos contos de terror contados por Tio João, porém um pequeno calafrio surgia pouco a pouco no estômago de Alan.
               Enquanto o conto se desenvolvia e se aproximava do fim, Alan percebeu que não era o único que estava sentindo aquela angústia: todos ali presentes pareciam inquietos, exceto Tio João. O cômodo estava escuro e sombrio, iluminado apenas pelas chamas que dançavam no interior do velho fogão. Um relâmpago, seguido por uma trovoada, cortou o silêncio daquele chuvoso crepúsculo. Sem razão alguma, Tio João levantou-se, caminhou rumo ao fogão e retirou, de dentro das brasas, um punhal amarelado. Enquanto sua mão queimava, ele dizia coisas incompreensíveis, com uma voz grossa e macabra. Correndo para Dona Cecília, deu-lhe uma forte, porém rápida, estocada na barriga. Observando o corpo ensanguentado da pobre mulher jogado ao chão, Alan partiu em disparada para o andar superior, seguido por seus amigos, exceto um, que fora pego pelo homem ensandecido.
               Em meio a tropeços, os rapazes correram pelo escuro corredor, abrindo uma porta e espreitando-se nas sombras. A sala estava totalmente escura e quieta. À medida que seus olhos se acostumavam com a escuridão, perceberam que estavam numa espécie de escritório. Uma grande pilha de livros e papéis estava sobre uma mesinha de madeira. Esta estava encostada na parede, sob uma imensa janela. Uma de suas gavetas estava entreaberta, e próximo a ela havia uma cadeira. Um pouco acima, pendurada na parede, uma prateleira era coberta de medalhas, enfeites e algumas antiguidades que Alan desconhecia. Seus pensamentos foram interrompidos por um forte estrondo vindo da porta: Tio João a havia arrombado.  Ferozmente, disferiu vários ataques, levando consigo os corpos já sem vida.
               Num salto, Alan despertou sentado na poltrona. Para sua surpresa, estava rodeado por todos os seus amigos, além de Tio João e Dona Cecília, todos em um profundo sono. Porém, ao lado de Tio João, uma entidade escura e funesta o observava. Com seus olhos gélidos e penetrantes fixos nos de Alan, ele levou um dedo à boca, como se pedisse silêncio, soltando uma horripilante gargalhada e desaparecendo de vista...

  • Por: Marcos Ângelo Alves Filho

Nenhum comentário:

Postar um comentário