Acordamos logo pela manhã. Embora sonolentos, estávamos
demasiado excitados para a nossa primeira visita à Campos do Jordão. Meus pais,
com uma contagiante animação, colocavam as malas no carro, enquanto eu e minha
irmã tomávamos um reforçado café da manhã. Pouco tempo depois, já havíamos entrado
na estrada. O sol já dava as caras, mas o frio matinal persistia em me
incomodar. Observando carros e árvores através da janela, me aconcheguei no
assento, caindo no sono imediatamente.
Despertei na entrada da cidade e, olhando a minha volta, fiquei
absolutamente fascinado: casas, hotéis, restaurantes e cafeterias construídas ao
estilo europeu se enchiam com o som de clientes satisfeitos que, perfeitamente agasalhados,
bebericavam seus cappuccinos e o
famoso chocolate quente de Campos do Jordão. Abri a pequena janela do carro, na
tentativa de sentir uma suave e agradável brisa em meu rosto, porém fui forçado
a fechá-la pelo frio congelante que fazia lá fora. Estacionamos o carro logo
adiante, mesmo que fosse por pouco tempo, afinal aquele ainda não era o local
desejado. Descemos do carro lentamente, aproveitando a maravilhosa sensação de
esticar as pernas após horas no interior do automóvel. Os momentos que vieram
em seguida foram de pura alegria e satisfação: desfrutamos de deliciosos
chocolates quentes, tiramos muitas fotos, vimos tudo o que pudemos e logo
estávamos novamente no carro, todos com saquinhos de chocolate em mãos.
Eu já não me aguentava de curiosidade de saber qual seria o
próximo lugar para visitarmos; já que meu pai, querendo fazer uma grande
surpresa, não nos havia contado. Foi quando eu o vi: o famoso Horto Florestal.
Todos a ponto de explodirmos de ansiedade, saltamos apressadamente do carro. O
vento congelante me fez estremecer por completo, mas nada poderia me aborrecer naquele
momento. Árvores de todas as espécies nos cercavam, folhas oscilavam presas em
seus galhos, enquanto outras caíam delicadamente sobre as pessoas que por ali
passeavam. Um grande lago completava a paisagem, dando-nos uma sensação de
indescritível serenidade.
As horas que ali passamos foram alucinantes, mas infelizmente
tudo tem um fim. Após horas aproveitando o incrível contato com a natureza, estava
na hora de partirmos. Diferentemente de nossa chegada, entramos no carro
totalmente desanimados. A noite caía, enquanto rumávamos à São José dos Campos.
Mergulhamos no silêncio da noite, todos pensando o mesmo: nas risadas e
alegrias deste maravilhoso dia; momentos que agora seriam nada mais do que uma mera
lembrança em nossos pensamentos.
- Por: Marcos Ângelo Alves Filho
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