...Diante de tantos olhares confusos, Paul Helleyer hesitou por um
instante. Suas mãos estavam trêmulas e sua voz, embargada, recusava-se a sair
de seus lábios. Neste breve momento antes de sua declaração, memórias lhe
ocorreram, fazendo distanciar seus pensamentos daquela audiência...
Despertou
assustado ao ouvir um ruído metálico vindo do andar inferior. Um intenso feixe
de luz atingia-o no rosto. Helleyer tentou se mover, porém não conseguiu. Estava
um palmo acima de sua cama, entretanto sentia-se fraco demais para gritar.
Aquela situação durou intermináveis dois minutos, que pareceram uma eternidade
para Paul. A luz se apagou, ele despencou sobre a cama e rolou para o lado.
Levantou-se apavorado, apanhando uma lanterna na gaveta de um armário e
afugentando-se na escuridão. Pensando no que acabara de acontecer, tomou
coragem e desceu vagarosamente em direção ao barulho. Sua lanterna iluminava o
cômodo escuro, criando sombras aterrorizantes ao encontrar os sofás e poltronas
estrategicamente colocadas na sala. Com todo o cuidado, alcançou a cozinha,
deparando-se com panelas derrubadas ao chão. Sentindo-se aliviado, projetou a
luz da lanterna contra uma das inúmeras janelas. Num sobressalto seu coração
acelerou e seu corpo congelou. Algo entre os arbustos fitava-o. Seus olhos
escuros e enormes refletiam o céu estrelado, juntamente com sua cabeça lisa e
exageradamente grande.
O ser agora se
movimentava, mas algo dizia a Paul que era inofensivo. Era como se Helleyer tivesse sido banhado por uma água mortalmente gelada, sendo atingido por
pensamentos estranhos; pensamentos que não eram seus, que não podia controlar,
mas que estavam sendo enviados. “Nós já estamos...”. O humanoide parou,
hesitante, e lhe mandou uma última mensagem: “Nós já estamos entre vocês”. Ele
deu meia volta e, sem ao menos olhar para trás, disparou entre as árvores...
Enfim, Paul
tomou coragem e anunciou, pensativo, à todos: “Há ETs vivos na Terra neste
momento, e pelo menos dois deles provavelmente trabalham com o governo dos
Estados Unidos”.
- Por: Marcos Ângelo Alves Filho
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