Mas como sou um orelhão “orelhudo”, estava enganado, pois o
“detonar” significava: destruir. A minha sorte foi que quando eles se
preparavam para iniciar o “servicinho”, apareceram algumas pessoas mais velhas,
que os repreenderam, desencorajando-os de dar continuidade àquela ação.
Sinceramente não sei o “porquê” destas agressões a nós orelhões,
se temos como objetivo servir os humanos. Outro dia fiquei sabendo, durante uma
conversa de alguns técnicos que me davam uma manutenção, de como eles eram
acionados para tentar salvar outros orelhões vítimas das agressões de vândalos
irresponsáveis. Alguns, segundo estes técnicos, estavam nas últimas e outros, infelizmente,
eram desativados. Não posso nem ouvir a palavra “desativar”, pois ela é para um
orelhão o fim de sua vida e consequentemente por não ter podido executar a sua
missão, não merece ir para o “paraíso dos orelhões”.
Mas me aconteceram fatos nesta vida que são como verdadeiros
remédios que servem para “curar” o ser humano, mostrando a ele que para ser
feliz precisa respeitar tudo e todos sem distinção de raça, credo ou cor. Mas
se eles não se respeitam nem entre si, fico imaginando o que deve acontecer em
relação aos outros seres vivos e a nós “coisas” e “máquinas”.
Há alguns meses também fui depredado, mas não sinto dor como os
seres humanos e sim outra sensação ainda mais terrível que é o desrespeito e a
falta de consideração. O fato é que me encontrava inoperante e sofria por não
poder ser útil às pessoas que se aproximavam de mim. Quantos pedidos de socorro
eu não pude transmitir e quantas mensagens de amor não pude completar, mas umas
destas tentativas não realizadas eu gravei em meus “circuitos”.
A madrugada já ia alta, quando se aproximou de mim, um jovem
pálido e ofegante. Quando este tentou pegar o meu aparelho os últimos fios que
o ligavam a mim se romperam. O jovem deixou-o cair e levando as mãos ao rosto
começou a chorar e entre soluços exclamava:
- “POR QUE FUI PARTICIPAR DAQUELA BRINCADEIRA DE QUEBRAR TELEFONES
PÚBLICOS... MEU PAI SOFREU UM INFARTO E ACHO QUE NÃO VAI DAR TEMPO DE CHEGAR
ATÉ UM OUTRO ORELHÃO, E PEDIR SOCORRO...
POR QUE FUI FAZER AQUILO?”
Penso comigo, que existem caminhos mais inteligentes e racionais
para que o ser humano encontre e conquiste a felicidade. Enquanto ele achar que
pode tirar vantagem de tudo e de todos certamente ele será cada vez mais
infeliz, pois muitas vezes este “caminho” não tem volta.
Assim como o meu discador após ser impulsionado sempre volta a sua
posição inicial, os atos dos homens sempre têm um efeito igual, bom ou mal,
dependendo da causa inicial.
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Por: Marcos Ângelo Alves
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Revisão ortográfica: Prof.ª Claudete Amaral de Melo
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