segunda-feira, 13 de maio de 2013

MEMÓRIAS DE UM ORELHÃO - “A primeira ligação a gente nunca esquece”

Lembro-me como se fosse hoje da minha primeira experiência como “orelhão de rua”.
- DE RUA? (você, leitor, pode ter perguntado).
- Sim, de rua, pois existem algumas classes de nós orelhões que tiveram a sorte de serem instalados em lugares não tão “sofríveis”, como por exemplo: aeroportos, hotéis, rodoviárias etc. Mas não estou reclamando, pois fui também útil e este é nosso principal objetivo, para que um dia mereçamos um lugar no “PARAÍSO DOS ORELHÕES”, um lugar maravilhoso onde desfrutamos de tudo aquilo que um feliz aparelho telefônico merece.
Mas como dizia, a primeira ligação foi para mim interessante e proveitosa. Naquele dia, fazia uma temperatura agradável e o céu parecia estar mais azul. Observava as paisagens quando senti uma pequena mão com muita dificuldade tocar o meu aparelho, e com a mesma dificuldade (comum nos seres humanos na fase “filhote”) conseguir discar o número desejado. Após alguns segundos, no outro lado um outro aparelho é atendido.
- Mamãe? É você?
- Lucinha? O que aconteceu, filha?
- É o Zequinha, mamãe. Ele não está bem e chora muito chamando pela senhora!
- Meu Deus! Será que a febre voltou? E eu não tenho como sair daqui do meu serviço e ir até aí, querida!
- Mas, mamãe! Eu não sei o que fazer, só tenho seis aninhos!
Gostaria de que você, caro leitor, soubesse como fiquei horrorizado com aquela situação: “UMA CRIANÇA DESAMPARADA DE UM LADO E UMA MÃE DESESPERADA DO OUTRO” e eu sem possibilidade nenhuma de ajudar.
No instante em que o diálogo se desenrolava notei que uma mulher se colocava atrás da criança parecendo esperar a sua vez para também utilizar os meus serviços. Porém ela dirigiu a atenção para a criança e demonstrando interesse pela história disse-lhe:
- Seu irmãozinho se chama Zequinha?
- Sim senhora.
- E ele tem dois aninhos?
- Sim senhora! A senhora o conhece?
- Não pessoalmente. Mas me diga, você se chama Lucinha?
...
Notei que um sorriso se formou naquele rostinho infantil.

- Sim senhora! E estou falando com a mamãe no telefone!
- Posso falar com ela, Lucinha?
- Sim senhora.
- Maria Rita é você?
- Sim! Mas quem é?
- Sou eu, a Jurema!
- Jurema? A da confecção?
- Sim querida! Sou eu e ouvi o que a sua filha lhe contou. Posso ajudá-la se você quiser.
- Por favor, Jurema! Parece que foi Deus que a enviou. Você poderia medicar o meu menino? Estou saindo do meu serviço e irei para casa!
- É claro querida! É por isso que estou aqui.
- Me perdoe Jurema por não ter ido até a sua cidade natal para visita-la no hospital. Eu liguei e disseram-me que você estava muito mal e que talvez não resistisse. Depois disso, liguei e tentei obter mais notícias, mas a moça que me atendeu negou por  não fazer parte de sua família. Mas pelo jeito você conseguiu escapar, não é mesmo? E pela sua voz parece estar muito bem.
- Estou bem querida! Principalmente agora que pude ajuda-la. Eu devia a você um favor e Deus permitiu que aqui estivesse, pois a considero como minha irmã.
- Eu também Jurema tenho por você muito carinho! Logo estarei aí para abraça-la e colocar o nosso papo em dia, afinal faz dois meses que não a vejo.
- Não estarei aqui, Maria Rita, quando você chegar querida. Tenho que seguir viagem. Mas não se preocupe vou cuidar do seu filho e de sua filha, e quando você chegar, ele estará bem!
- Por favor, Jurema vou ficar eternamente grata por esta sua ajuda. Você sabe da minha situação e como este emprego é importante para que eu possa sustentar as minhas duas crianças que tanto amo.
- Não me agradeça Maria Rita, mas sim a Deus pois foi ele que permitiu a minha vinda para ajudá-la.
- Não estou entendendo Jurema!?!?!?
- Isto não é importante no momento querida amiga. Na hora certa você entenderá. Adeus Maria Rita... E que Deus a abençoe!
...
Tudo resolvido não é mesmo, caro leitor, e sem nada aparentemente que mereça o meu relato. A não ser pelo fato de que alguns dias atrás, em uma outra conversação, ouvi algo que me chamou a atenção:
A TAL JUREMA, HAVIA FALECIDO”.
(...)
Realmente há coisas e fatos que não podemos explicar, ou muitas vezes não buscamos a explicação. Mas tenho certeza de que em tudo está a mão do mesmo “Grande Arquiteto” que criou o Universo e todas as coisa que há nele.
Pelo jeito Deus é realmente um verdadeiro e presente Pai.

·                 Por: Marcos Ângelo Alves

·                 Revisão ortográfica: Prof.ª  Claudete Amaral de Melo

Nenhum comentário:

Postar um comentário