Em uma noite fria, cuja chuva
caía torrencialmente e o vento varria as vielas da antiga cidade de Jerusalém,
oficiais espremiam-se em becos lúgubres e escuros numa perseguição implacável,
com suas espadas desembainhadas e prontas para o ataque. O rapaz perseguido era
ágil, driblava os oficiais e saltava cercas habilmente, seu rosto estava
coberto por um manto e carregava consigo um saco de couro escuro, repleto de
joias e diamantes.
Após
muito correr, entraram numa zona comercial. Ao virar uma esquina, Altair
deparou-se com uma carroça cheia de feno, atirando-se dentro desta e esperando
seus perseguidores se afastarem. Vagarosamente, o jovem retirou o manto do
rosto entrou em uma taberna, certificando-se que havia despistado os militares.
O local era rústico, porém aconchegante. As poucas pessoas presentes o
observavam atentamente, olhavam para o saco em seu ombro e, em pouco tempo,
voltavam a fitá-lo. Discretamente, dirigiu-se para o balcão e alugou um quarto.
Entrando no pequeno cômodo, Altair jogou o saco ao chão, abriu-o e admirou sua
conquista com muita satisfação. Como estava exausto, deitou na cama e adormeceu
quase que imediatamente.
Amanheceu
um lindo dia. Pássaros cantavam alegremente anunciando sua chegada. A taberna
se enchia com o som dos clientes satisfeitos, que por vezes discutiam
claramente bêbados. Uma batida na porta fez com que o rapaz saltasse na cama. Hesitante,
Altair abriu a porta e deparou-se com uma bela moça. Foi amor à primeira vista,
embora ambos não acreditassem que isso fosse possível. A pobre faxineira do bar
se apaixonara pelo jovem mais procurado de Jerusalém. Altair começou a alugar o quarto dia após
dia. Não se preocupava com o dinheiro gasto, sua amada lhe trazia uma sensação
de completitude jamais experimentada.
Em pouco tempo, os dois começaram
um namoro secreto. Altair nunca contara à Francesca a respeito de seus crimes,
escondia-se no quarto e saía apenas durante a noite, quando conseguia se
espreitar na escuridão. Certo dia, o rapaz se preparava para pedir a mão de sua
amada e, assim, fugir da cidade. Entretanto, ao acordar, Altair foi
surpreendido por sons de gritos desesperados vindos do andar inferior.
Rapidamente, pôs-se de pé; a adrenalina percorreu seu corpo rapidamente,
despertando-o no mesmo momento. Com um baque ensurdecedor, a porta se abriu. Francesca
encontrava-se ao lado de um oficial, seus olhos cheios de lágrimas e em suas
mãos um cartaz de procurado. Sem dizer qualquer palavra, o militar arrancou de
Altair seu último suspiro, acompanhado de um grito abafado de Francesca.
Os anos se passaram, Francesca
amadureceu, mas nunca deixou de pensar em seu amado que partira. Certo dia,
enquanto deixava a taberna, ela foi atraída por um vulto numa esquina. Embora
seu coração estivesse a mil e algo lhe dissesse para recuar, Francesca sentiu
uma enorme calmaria, um sentimento comum, mas que não sentia há muito tempo. Ao
se aproximar, o vulto tomou forma. Por mais inacreditável que fosse, Altair
estava parado diante dela; não em carne e osso, mas em espírito. Assim, Francesca percebeu que embora não pudesse
ver o seu amado, ele sempre estaria por perto, pois quem ama se faz sempre
presente.
- Por: Marcos Ângelo Alves Filho
Parabéns Marquinho! Muito boa suas histórias! Boa iniciativa!!!! :)
ResponderExcluirObrigado Francilei! :D
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