domingo, 26 de maio de 2013

O AMOR NUNCA MORRE

Em uma noite fria, cuja chuva caía torrencialmente e o vento varria as vielas da antiga cidade de Jerusalém, oficiais espremiam-se em becos lúgubres e escuros numa perseguição implacável, com suas espadas desembainhadas e prontas para o ataque. O rapaz perseguido era ágil, driblava os oficiais e saltava cercas habilmente, seu rosto estava coberto por um manto e carregava consigo um saco de couro escuro, repleto de joias e diamantes.
               Após muito correr, entraram numa zona comercial. Ao virar uma esquina, Altair deparou-se com uma carroça cheia de feno, atirando-se dentro desta e esperando seus perseguidores se afastarem. Vagarosamente, o jovem retirou o manto do rosto entrou em uma taberna, certificando-se que havia despistado os militares. O local era rústico, porém aconchegante. As poucas pessoas presentes o observavam atentamente, olhavam para o saco em seu ombro e, em pouco tempo, voltavam a fitá-lo. Discretamente, dirigiu-se para o balcão e alugou um quarto. Entrando no pequeno cômodo, Altair jogou o saco ao chão, abriu-o e admirou sua conquista com muita satisfação. Como estava exausto, deitou na cama e adormeceu quase que imediatamente.
               Amanheceu um lindo dia. Pássaros cantavam alegremente anunciando sua chegada. A taberna se enchia com o som dos clientes satisfeitos, que por vezes discutiam claramente bêbados. Uma batida na porta fez com que o rapaz saltasse na cama. Hesitante, Altair abriu a porta e deparou-se com uma bela moça. Foi amor à primeira vista, embora ambos não acreditassem que isso fosse possível. A pobre faxineira do bar se apaixonara pelo jovem mais procurado de Jerusalém.  Altair começou a alugar o quarto dia após dia. Não se preocupava com o dinheiro gasto, sua amada lhe trazia uma sensação de completitude jamais experimentada.
Em pouco tempo, os dois começaram um namoro secreto. Altair nunca contara à Francesca a respeito de seus crimes, escondia-se no quarto e saía apenas durante a noite, quando conseguia se espreitar na escuridão. Certo dia, o rapaz se preparava para pedir a mão de sua amada e, assim, fugir da cidade. Entretanto, ao acordar, Altair foi surpreendido por sons de gritos desesperados vindos do andar inferior. Rapidamente, pôs-se de pé; a adrenalina percorreu seu corpo rapidamente, despertando-o no mesmo momento. Com um baque ensurdecedor, a porta se abriu. Francesca encontrava-se ao lado de um oficial, seus olhos cheios de lágrimas e em suas mãos um cartaz de procurado. Sem dizer qualquer palavra, o militar arrancou de Altair seu último suspiro, acompanhado de um grito abafado de Francesca.

Os anos se passaram, Francesca amadureceu, mas nunca deixou de pensar em seu amado que partira. Certo dia, enquanto deixava a taberna, ela foi atraída por um vulto numa esquina. Embora seu coração estivesse a mil e algo lhe dissesse para recuar, Francesca sentiu uma enorme calmaria, um sentimento comum, mas que não sentia há muito tempo. Ao se aproximar, o vulto tomou forma. Por mais inacreditável que fosse, Altair estava parado diante dela; não em carne e osso, mas em espírito.  Assim, Francesca percebeu que embora não pudesse ver o seu amado, ele sempre estaria por perto, pois quem ama se faz sempre presente.


  • Por: Marcos Ângelo Alves Filho

2 comentários:

  1. Parabéns Marquinho! Muito boa suas histórias! Boa iniciativa!!!! :)

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